23.05.08

Discurso de posse na Academia Mourãoense de Letras, em 21 de maio de 2008.

Categoria: Sem categoria

Publicado por Jair Elias Junior.

por Jair Elias Junior em 23 de maio de 2008

>Autoridades que compõem a mesa,

Senhores acadêmicos,

Meus familiares,

Queridos amigos que hoje prestigiam com sua presença mais um passo da minha vida.
Caros novos acadêmicos João Maria de Lara e Luiz Mazzuchetti;

É tradição das Academias que a primeira parte do discurso de posse dos novos acadêmicos seja em homenagem aos seus patronos e aos que antecederam nas cadeiras que passam a ocupar.

Um discurso de posse na Academia de Letras envolve uma grande responsabilidade, qual seja, satisfazer a expectativa de um texto que, de certo modo, justifique a eleição do novo acadêmico.

A cadeira n.º 23, na qual sou hoje empossado, tem uma história construída por um homem que engrandeceu a cultura mourãoense.

É uma honra representar nesta Academia o artista plástico Antônio Nishimura, carinhosamente conhecido como “Tony”.

Neto de imigrantes japoneses, Tony nasceu em 10 de maio de 1943, no Distrito Água do Boi – município de Cambará, Paraná. Quarto filho da nissei Shizuki e do issei Yoshimitsu Nishimura – cafeicultor e horticultor.

Ainda menino, assistia com paixão o despontar dos primeiros raios de sol, luzes que descortinavam na encosta do morro. Luzes que revelavam as cores de vegetação, em suas várias tonalidades.

A imagem do nascer do novo dia, emoldurada pelo batente da janela da sala foi a fonte de inspiração do menino Tony.

Morou em Uraí, na sua infância, e aos sete anos passou a residir em Jandaia do Sul, num sítio de café e hortaliças. Seu primeiro trabalho, ajudando seu pai, foi na venda de hortaliças de porta em porta e à tarde, freqüentava a Escola Municipal de Jandaia do Sul, onde, em 1958 concluiu o Ginásio.

Em uma oportunidade, o seu pai ganhou em sorteio, uma enorme caixa de bombons, cuja tampa era enfeitada com a estampa da pintura de uma paisagem.

As cores desta paisagem se confundiam com as matrizes da vegetação que cobria o morro, principalmente no outono. A combinação desses fatos talvez tenha despertado em Tony a paixão pela pintura.

Desde a idade pré-escolar, gostava de ficar horas fazendo seus rabiscos, sempre de forma autodidata, mesmo porque, na época não havia escola de arte, como existe hoje.

Utilizava materiais mais acessíveis como: a tinta nanquim, caneta de madeira com pena, lápis de cor e preto, para desenhar principalmente a figura humana.

Através do tempo, de forma empírica, foi praticando e desenvolvendo as técnicas de pontilhismo a nanquim, bico de pena e óleo sobre tela na pintura de retratos. Sua maior fonte de inspiração e estudos foi às obras de Rembrandt e Renoir.

Todos os trabalhos de Tony Nishimura foram feitos sob encomenda, tornando-se difícil organizar uma exposição.

Teve suas obras expostas em galerias e seus trabalhos ultrapassaram os limites de Campo Mourão e do Brasil.

Na década de 1980 deu inicio a confecção das galerias dos ex-presidentes do Rotary Campo Mourão e do Rotary Gralha Azul e dos ex-presidentes do Clube 10 de Outubro. Todos feitos na técnica de pontilhismo a nanquim.

Assim que terminava o mandato de cada presidente, Tony continuava atualizando as galerias.
Em 1990, a convite do então Secretário da Administração, Pedro da Veiga, foi contratado pela Prefeitura Municipal de Campo Mourão, para elaborar a galeria dos Ex-prefeitos, obras expostas no Paço Municipal “10 de Outubro”.

Em 2005 foi convidado pelo Rotary Lago Azul para pintar a tela do patrono de Campo Mourão – Dom Luís Antônio de Souza Botelho e Mourão – exposto em caráter permanente no Museu Municipal “Deolindo Mendes Pereira”.

Há muitos anos, Tony vinha dedicando, em tempo integral, para atender as encomendas, principalmente óleo sobre tela e pontilhismo a nanquim.

Mourãoense desde 1966, “Tony” começou o preparo do Carneiro no Buraco na década de 1970, como entretenimento entre seus amigos, mas com o tempo foi aperfeiçoando a composição até chegar ao sucesso de hoje.

Nishimura dedicou maior parte de seu tempo viajando pelo Brasil no preparo e na divulgação do Carneiro no Buraco.

Recebeu grande apoio do então prefeito de Maringá, Ricardo Barros, que o contratava para preparar o “Carneiro no Buraco”.

Estes constantes trabalhos realizados na cidade de Maringá, em muito contribuiu para a divulgação do nosso prato típico.

Em Brasília (DF), nos anos de 1995 a 1998, Tony participou da “Festa dos Estados” que foram realizadas no “Parque da Cidade”. A festa tem por objetivo divulgar o folclore de cada Estado participante, bem como a sua culinária.

Havia percorrido nove estados brasileiros e viajou também ao exterior preparando o nosso prato típico.

Serviu autoridades e pessoas famosas, como: Presidentes da República, ministros de Estado, governadores, artistas, empresários e esportistas. Somente em 1997, havia percorrido mais de 70 mil quilômetros preparando o prato em dezenas de cidades do território nacional.
Em Campo Mourão, Tony Nishimura foi coordenador da I Festa Nacional do Carneiro no Buraco, oficializada pelo município no ano de 1991, um evento gastronômico que passou a reunir anualmente mais de seis mil pessoas.

Foi em 1995, em sua quinta edição que Nishimura, então coordenador técnico, idealizou e implantou o sistema de cozinha única da festa, com o objetivo de atingir um padrão único no prato típico, que vinha sendo preparado isoladamente pelas barracas participantes do evento.

A dedicação no preparo do Carneiro no Buraco, também fez com que Nishimura criasse uma série de equipamentos para eficiência e agilidade na confecção e na melhoria da qualidade do prato.

Tony por diversas vezes promoveu o “Carneiro no Buraco” em associações recreativas, cujos convites eram adquiridos por seus amigos e apreciadores do prato. A última vez que preparou foi no dia 7 de maio de 2006, na Associação DER.

Das lentes do fotógrafo Tony Nishimura, parte da história de Campo Mourão pode ser preservada.

Com a posse do prefeito Horácio Amaral em 1969, tornou-se o “fotógrafo oficial” da Prefeitura. Ele, Pedro da Veiga e Horácio Amaral sempre viajavam juntos pela interior do Município, visitando as obras executadas, além de eventos e inaugurações.

Os registros eram feitos, para mais tarde, se tornarem em uma exposição de prestação de contas itinerantes das ações do Governo Municipal.

Em 1974, Tony fotografou vários aspectos da cidade, fotos estas levadas pelo prefeito Renato Fernandes Silva para o Japão.

A conduta de Tony Nishimura parecia inspirar-se na sabedoria de Fernando Pessoa, expressa através de seu heterônimo Ricardo Reis:

“Para ser grande, sê inteiro, nada
Teu exagera ou exclui
Sê todo um cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes”.

Tony encarnava as três qualidades importantes, segundo Max Weber, para definir a personalidade do homem público: “sentido de responsabilidade”, “senso de proporção” e “paixão”.
“Sentido de responsabilidade” manifestado ainda jovem nas artes plásticas; “senso de proporção” por compatibilizar seus projetos com as aspirações de Campo Mourão; e, finalmente, “paixão”, concebida não como atitude interior que Jorge Simmel chamava de “excitação estéril”, senão como entrega total, integral, à causa que abraça.

Paixão foi o que não faltou a Tony Nishimura!

Cidadão múltiplo abrigava várias pessoas em sua personalidade – o artista plástico, o empreendedor, o amante da cultura e protetor da natureza, e, por mais relevantes que sejam todos esses títulos, foi um cidadão completo.

Tony Nishimura não ficou com os olhos fixos no presente. Com as retinas do humanista anteviu a necessidade de colaborar na preservação da nossa memória, especialmente “daquele passado que fica do que passou”, como dizia Tristão de Athayde.

De igual modo, usou o periscópio para, em mar revolto, enxergar o futuro.

Não seria exagero admitir que Tony Nishimura consumiu grande parte do seu tempo nessas inquietações, o que afiança sua sensibilidade para a artes, entendida como caminho para converter os sonhos possíveis em realidades tangíveis.

Otto Lara Resende, em “O Príncipe e o Sabiá”, conta que Guimarães Rosa sugeria aos amigos: “não faça biscoitos, faça pirâmides”.

Preconizava o mestre de Grande Sertão e Veredas que o escritor devia concentrar-se, condensar-se, viver para a sua grande obra, preparar-se longamente para ela e pôr-se ao trabalho sem hesitação ou fadiga.

Tony Nishimura foi em toda a sua existência um obstinado construtor de pirâmides.
Talento de empreendedor, perseverante e indene ao medo, consciente da imprescindibilidade de atingir metas colimadas.

Senhor Presidente,

Talássico ensinou: “foi o mar que me deu uma das ricas experiências de vida: a de saber enfrentar os desafios com a firmeza dos fortes e a serenidade dos sábios”.

Tony foi firme nos objetivos e suave no trato. Exerceu, por essas razões, um papel mais saliente na vida de Campo Mourão do que muitos políticos e líderes da comunidade.

Otimista, exalava confiança e ao seu nome se associava a certeza do sucesso. “A morte – sentenciou Rui Barbosa – não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima”.

O sentimento que se tem, após sua morte, é o de que, quanto mais longe do seu desaparecimento, mais cresce sua exuberante figura, ornada pela sua obra.

De Tony Nishimura se pode afirmar, repetindo Carlos Drummond de Andrade:

“De tudo ficou um pouco.”
Ficou um pouco de luz”.

Luz para fazer memória de sua vida e, ao mesmo tempo, sinalizar em fulgurante rota a continuidade de sua obra.

Zélia, Sandra e Sylvia, reafirmo que esta Academia pode gloriar-se, portanto, de haver admitido seu esposo e pai como um de seus patronos e, de modo particular, me vanglorio de ocupar sua cadeira.

Talvez as palavras expressas na edição nº. 120 do jornal “Entre Rios”, dirigido pelo nosso amigo e imortal Osvaldo Broza possa definir o que ele representou: “Tony era um artista. Com ele morre muito da cultura de Campo Mourão. Nenhum município foi tão divulgado pelo seu prato típico como o nosso. Tony foi o embaixador mourãoense em praticamente todos os estados brasileiros. Ele dava uma dimensão cultural ao prato típico que ninguém mais conseguiu dar. Sabe-se que atrair pessoas pela propaganda, pelos shows é coisa comum, mas atrair pelo encantamento é coisa de artista. E é isso que faz a festa ficar na história. Tony sabia dar esse encantamento porque era artista.
Mas como compreender sutilezas da alma em um tempo de tanta superficialidade
?

Senhores acadêmicos:

É chegada a hora em que devo falar do momento presente. Sinto-me profundamente honrado e reconhecido ao envergar, pela primeira vez, esta pelerine, que me foi concedida por vossa generosidade. A posse desta noite se reveste de caráter emotivo.

A emoção é impar.

Conheci Tony Nishimira em 1992. Com apenas 18 anos tornei-me seu amigo e posteriormente seu “discípulo”.

Durante 12 anos de amizade leal com Tony, posso definir que a palavra “caráter”, originária do grego, pode ser traduzida como “marcas profundas”.

Tony me deixou “marcas profundas”.

Marcas de amizade, de honestidade, de amor ao próximo e de lealdade. Testemunhei, no pouco que tempo que o Criador permitiu: a sua alegria, as suas vitórias, o seu choro, a sua tristeza e a sua dor.

Com Tony aprendi que a humildade é o único caminho.

Vinícius de Moraes versejou que: “viver é a arte do encontro”.

E nesta noite, repleta de autoridades e amigos que me encontro novamente com o meu amigo Tony Nishimura.

Não em presença física, mas naquilo que representou a sua vida: o “sonho”, o “sonho impossível” da música de Chico Buarque.

Há dois anos, no dia próximo dia 24, partia Tony.

O acaso do destino fez que seu último compromisso público fosse a posse da diretoria desta Academia, que hoje finda sua gestão.

Dois anos depois, estamos aqui reunidos para celebrar a sua memória e render a nossa gratidão pelo trabalho que fez pela difusão da cultura do povo mourãoense, por meio do “Carneiro no Buraco”, da fotografia e das artes plásticas.

Senhor Presidente,

Minhas Senhoras, meus Senhores,

Caros acadêmicos,

Assim, peço-lhes licença para usar da palavra, não como um novo acadêmico recém-empossado, mas, antes, como um jovem, em cujo coração, o amor pela educação e pela cultura é forte.

Nada caracteriza mais a juventude do que o entusiasmo, a energia e a vontade de viver. É dos jovens a invenção da capacidade de sonhos. É também deles a invenção da coragem e da disposição de lutar contra as injustiças do mundo.

E foi contra as injustiças do mundo que desde os meus 14 anos, militei com firmeza nas organizações juvenis, passando pelo Grêmio Estudantil do Colégio Marechal Rondon, na União Mourãoense dos Estudantes, no Conselho Municipal da Juventude, no Rotaract onde tive a honra de exercer quase todos os seus cargos diretivos, como fundador do Interact Campo Mourão e agora como rotariano obstinado na formação de lideranças.

Aprendi ao longo desta caminhada no meio da juventude a fazer perguntas, de ser curioso, de ser capaz de ousar, de vencer os medos e a timidez que, muitas vezes, deixaram-me imóvel.

Essas lições que aprendi com nossos jovens, neste longo convívio que tive e tenho com eles, moram em meu coração e insistem em não envelhecer.

Aprendi com os jovens que a melhor forma de ensinar valores não é com palavras, mas com exemplos. Cada ser humano é único e constrói o edifício de seu caráter com tijolos que recebe, não apenas de seus muitos professores, mas igualmente de seus pais, amigos, autores de livros, músicos, produtores de filmes, artistas de teatro, políticos e tantos outros.

A combinação desses tijolos é sempre original e jamais se repetem. O ser humano é o grande escultor de si mesmo.

Minha experiência e minha convivência com jovens fazem-me reafirmar a convicção da necessidade de educarmos a nossa juventude baseados em uma ética das virtudes, ou teremos a barbárie instruída.

Ressalto nesta noite, a celebre frase de Sócrates, dita cerca de 20 séculos atrás, que ainda ecoa entre nós:

Todo o meu saber consiste em saber que nada sei”.

Em 1967, em seu discurso de posse na Academia Paranaense de Letras, o professor Bento Munhoz da Rocha Netto disse:

A Academia tem de estar afinida com os moços, acessível e sensível a seus problemas. Tem de estar afinada com o pensamento paranaense, possuindo a capacidade para compreendê-lo”.

E, mais adiante, acrescentou: “A Academia tem responsabilidade diante dos jovens que estão
surgindo, venham eles do panorama clássico do Paraná ou convirjam para sua metrópole, dos quatro cantos de nossas regiões pioneiras”.

40 anos depois, penso que as palavras de Bento Munhoz da Rocha Netto devem ser a nossa bússola e a minha principal missão nesta Academia.

Permitam-me citar o poema de Victor Hugo, no qual se lê:

O velho que retorna à sua primeira fonte,
Entra para os dias eternos e sai dos dias cambiantes:
E vemos a chama nos olhos dos jovens,
Mas, nos olhos do velho, vemos a luz
”.

Reafirmo assim, as orientações deixadas pelo grande Bento Munhoz da Rocha Netto, inspirado no poema de Victor Hugo.

Nosso desafio maior é combinar a luz que se vê nos olhos do velho como chama que se vê nos olhos dos jovens.

Sou filho desta terra abençoada, filho de um simples motorista de caminhão e de uma dedicada manicure e neto de um homem simples, de pouca “bagagem intelectual”, mas amante do conhecimento.

Meu avô Joaquim Elias Neto admirava os que detinham conhecimento. Tanto que quando criança me presenteou-me com uma coleção de livros da História do Brasil.

Sem saber ele, que naquele pequeno ato nascia o meu gosto pela História. Como seu primeiro neto ouvia atentamente suas histórias e causos da política mourãoense.

Aos poucos, passo a passo fui crescendo, subindo degrau por dregau, passando pelas páginas do jornal Folha de Londrina em 1989 como: “o menino que brinca com a história”, e agora, 19 anos depois, membro da Academia Mourãoense de Letras.

Na minha caminhada, aliada com suas as vitórias e derrotas, passos firmes e tropeços, procurei sempre, a cada degrau alcançado, agradecer aqueles que um dia me estenderam a mão e dão-me a oportunidade ímpar de deixar gravado o meu nome na História de Campo Mourão.

O nome do filho da manicure Guiomar e do motorista Jair.

Agradeço a Deus por esta oportunidade e por ter dado a minha mãe, ao meu pai e ao meu avô, os instrumentos necessários para a busca do saber.

Agradeço aos meus amigos, a todos que estão aqui celebrando comigo mais uma vitória. Amigos que no futuro serão a minha única referência.

Obrigado por fazerem parte da minha vida.

Sem vocês, não estaria nesta solenidade.

Finalizando, cito as palavras do ex-prefeito Milton Luiz Pereira,
aprendi todos os dias, todas as horas. Quando mais tarde, ao reler os livros de minha vida, quiser tirar a maior lição de todas, saberei que o mais importante é ser humilde”.
Serei humilde e irei todos os dias da minha vida, honrar minha família, os meus amigos e a minha terra.

Muito obrigado!

{ 1 Comentário… leia abaixo ou insira um }

Pedro da Veiga maio 23, 2008 às 17:03

>Parabéns Jair!
Você retratou, com belissimas palavras, o nome de nosso inesquecível amigo Tony Nishimura que realmente foi um grande idealizador que vislumbrava o desenvolvimento de Campo Mourão, prestando o seu contributo para esse desiderato.
Deixou-nos ressentido pela indiferença daqueles que não compreendiam o seu apego, amor e idealismo pela coisa mourãoense, que ele difundiu Brasil afora, divulgando o Carneiro no Buraco, iguaria da qual era mestre e que sempre contou com a nossa contribuição, lembro-me do último carneiro por ele preparado na sede da Associação do DER, onde eu e você estivemos presentes. Guardo com muita emoção as últimas fotos dele, focalizados pela minha objetiva, e também a última foto por ele realizada com minha máquina, retratando-me juntamente com minha esposa Geni. Mais uma vez, parabéns e que você exerça uma profícua militância na AML.
Abraços: Pedro da Veiga

Responder

Deixe o seu Comentário.

Post anterior:

Próximo post: